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Funeral de Elizabeth 2ª: as homenagens, humor e absurdos da fila quilométrica no adeus à rainha

  • Terra -

A cada hora, cerca de 2 mil pessoas entram em uma fila que dura horas para poder se despedir em menos de cinco minutos da rainha britânica mais longeva da história. Duas coisas que os britânicos sabem fazer bem se tornaram especialmente relevantes nos dias de hoje: honrar seus mortos e respeitar uma fila.

E essa fila que se move como um organismo vivo - noite e dia - entre o Southwark Park - no sul de Londres - e Westminster Hall - no centro da capital- é tão respeitada quanto a mulher que espera por todas estas pessoas no final.

Desde quarta-feira (14/9), o caixão de Elizabeth 2ª permanece envolto com o estandarte real na parte mais antiga do Parlamento britânico, que data do século 11, antes do funeral que será realizado na segunda-feira (19/9) na Abadia de Westminster.

A imagem correu o mundo. Deve ser uma das filas mais longas que já se viu na história deste país. Cerca de 2 mil pessoas se juntam a cada hora para se despedir de sua chefe de Estado, líder de sua Igreja e a única constante que tiveram em suas vidas entre eventos tão históricos como o fim da Segunda Guerra Mundial e o recente Brexit.

Nos anos em que morei aqui, vi britânicos usarem uma papoula vermelha todo mês de novembro para homenagear aqueles que morreram na guerra. Eu os vi em 2005 parados como estátuas por um minuto para lembrar os mortos nos ataques de 7 de julho. Mas isso é outra coisa, isso é uma peregrinação.

A fila
Curiosamente, a fila para homenagear uma rainha começa em um parque que abriga o primeiro monumento público de Londres dedicado a um homem da classe trabalhadora: Jabez West, que no século 19 lutou tanto pelos direitos trabalhistas quanto contra o consumo de álcool.

A maioria dos que se juntam à longa caminhada, que às vezes dura mais de um dia, o faz por amor e respeito à monarca que reinou por 70 anos, o reinado mais longo que a Coroa britânica já teve.

Mas há outros que vão porque sabem que este é um momento que raramente se repetirá.

"Não tem nada a ver com a rainha, é basicamente nosso amor pelas filas", diz Phil, que veio de trem com sua esposa Carolyn de Newcastle, no norte da Inglaterra, naquela manhã. Sua piada me lembra outra coisa que as pessoas desta ilha fazem bem: rir de si mesmas.

No Twitter, a fila tem até uma hashtag própria: #TheQueue. Um usuário, @curiousiguana, chamou essa fila de triunfo do britanismo: "É a mãe das filas. É arte. É poesia. É a fila para acabar com todas as filas", escreveu ele em seu tuíte, parafraseando a forma como a Primeira Guerra Mundial foi descrita.

Outro site chamado Very British Problems diz no Instagram e no Facebook que "só um britânico pode entrar silenciosamente em uma fila de 8 km sem se preocupar em ver até onde ele vai... mostrando ao resto do mundo como fazer uma fila".

Mas Phil e Carolyn sabem até onde a fila vai. Já fizeram algo semelhante em Edimburgo, dias atrás, quando se despediram de Elizabeth 2ª pela primeira vez na Catedral de St. Giles. Eles ficaram lá por sete horas e meia. Agora, o dobro os espera.

"O site do YouTube dedicado à fila prevê que levará cerca de 14 horas", ele me diz. "Mas a boa notícia é que, no meio do caminho, ficaremos sem bateria do telefone, não poderemos nos conectar à internet e não saberemos quanto tempo estamos perdendo."

O Anjo e Harry Potter
Das 14 horas previstas, as três primeiras foram passadas com Phil, Carolyn e os milhares à frente e atrás de nós dentro do Southwark Park, ziguezagueando entre barras de metal, enquanto equipes de TV de todo o mundo sobrevoam procurando quem é a pessoa mais britânica ali para entrevistar.

Há mães empurrando carrinhos de bebê, padres, avós elegantes, veteranos de guerra com medalhas na lapela, homens de terno usando sorrateiramente seus guarda-chuvas como bengalas e pessoas segurando seus livros como únicos companheiros de viagem.

Do nosso grupo mais próximo, um jornalista de uma rede australiana escolhe uma das cinco mulheres galesas que chegaram dirigindo naquela manhã de uma cidade localizada a 50 quilômetros de Cardiff.

"É um momento muito emocionante", ela responde muito séria, e então cai na gargalhada com suas amigas com a possibilidade de alguém vê-la na televisão na Austrália.
Mas Phil e Carolyn sabem até onde a fila vai. Já fizeram algo semelhante em Edimburgo, dias atrás, quando se despediram de Elizabeth 2ª pela primeira vez na Catedral de St. Giles. Eles ficaram lá por sete horas e meia. Agora, o dobro os espera.

"O site do YouTube dedicado à fila prevê que levará cerca de 14 horas", ele me diz. "Mas a boa notícia é que, no meio do caminho, ficaremos sem bateria do telefone, não poderemos nos conectar à internet e não saberemos quanto tempo estamos perdendo."

O Anjo e Harry Potter
Das 14 horas previstas, as três primeiras foram passadas com Phil, Carolyn e os milhares à frente e atrás de nós dentro do Southwark Park, ziguezagueando entre barras de metal, enquanto equipes de TV de todo o mundo sobrevoam procurando quem é a pessoa mais britânica ali para entrevistar.

Há mães empurrando carrinhos de bebê, padres, avós elegantes, veteranos de guerra com medalhas na lapela, homens de terno usando sorrateiramente seus guarda-chuvas como bengalas e pessoas segurando seus livros como únicos companheiros de viagem.

Do nosso grupo mais próximo, um jornalista de uma rede australiana escolhe uma das cinco mulheres galesas que chegaram dirigindo naquela manhã de uma cidade localizada a 50 quilômetros de Cardiff.

"É um momento muito emocionante", ela responde muito séria, e então cai na gargalhada com suas amigas com a possibilidade de alguém vê-la na televisão na Austrália.(Terra)





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